Oito formas como o mundo se orienta pelo eco

DC·78 Deep Cuts
A voz mais alta da Terra é um clique

A voz mais alta da Terra é um clique

A cabeça de um cachalote é, na maior parte, um canhão de som. Ele empurra ar por válvulas chamadas lábios fônicos, e o clique ricocheteia por um barril de óleo ceroso de espermacete que o concentra em um feixe. Medidos de perto, esses cliques chegam a cerca de 230 decibéis debaixo d'água — o som mais alto que qualquer animal produz. O cachalote os usa para encontrar lulas a um quilômetro de profundidade, na escuridão total.
O golfinho escuta com a mandíbula

O golfinho escuta com a mandíbula

Os ouvidos do golfinho não se abrem para a água — vedá-los evita que o som se embarale. Em vez disso, os ecos de retorno entram por uma fina lâmina cheia de óleo na mandíbula inferior, o 'osso timpânico', e um canal de tecido gorduroso os leva direto ao ouvido interno. Os ossículos flutuam em seios cheios de espuma, isolados acusticamente do crânio, de modo que cada ouvido escuta por conta própria e o animal consegue precisar exatamente de onde veio um eco.
A ave que voa por cliques, não pela visão

A ave que voa por cliques, não pela visão

No fundo de cavernas totalmente escuras, o guácharo se orienta como um morcego: dispara cliques rápidos e escuta o eco. Mas seus cliques ficam em torno de 2.000 hertz, bem dentro da audição humana, então dá para ficar na caverna e ouvir a ave 'enxergar'. Apenas dois grupos de aves fazem ecolocalização — os guácharos e algumas andorinhas-das-cavernas — e um guácharo consegue desviar de um obstáculo de apenas 20 centímetros na escuridão total.
Uma mariposa que interfere no sonar de um morcego

Uma mariposa que interfere no sonar de um morcego

Quando uma mariposa-tigre ouve um morcego caçador se aproximando, responde com seu próprio fogo ultrassônico: milhares de cliques por segundo a partir de uma placa de cutícula que se flexiona em suas laterais, chamada timbal. As rajadas caem na janela de uma fração de milissegundo que o morcego precisa para ler seu eco e o embaralham, como estática num rádio. Em testes de voo, as mariposas que interferiam escapavam de ataque após ataque; as que tiveram o órgão silenciado foram quase todas capturadas.
Caudas giratórias que enganam o ouvido do caçador

Caudas giratórias que enganam o ouvido do caçador

As longas fitas retorcidas nas asas traseiras da mariposa-lua não são só enfeite. Enquanto a mariposa voa, elas giram e tremulam, devolvendo um segundo eco confuso que o sonar do morcego confunde com o corpo da mariposa. O morcego então investe contra a cauda giratória — e a mariposa perde apenas um pedaço inofensivo de asa e sobrevive. Em ensaios de voo, as caudas desviaram o ataque na maioria das vezes e elevaram a sobrevivência em cerca de 47 por cento.
Este morcego mira o som com o nariz

Este morcego mira o som com o nariz

O morcego-de-ferradura canta pelo nariz, e as dobras carnudas ao redor de suas narinas — a 'folha nasal' — funcionam como um megafone esculpido que mira o feixe. Ele sustenta um único tom longo e puro e, enquanto voa, ajusta o tempo todo a frequência para que o eco de retorno fique fixo na frequência exata em que seu ouvido está sintonizado. Esse truque lhe permite distinguir o minúsculo tremular das asas batendo de um inseto contra uma parede de ruído.
Um morcego fica surdo para ouvir o próprio eco

Um morcego fica surdo para ouvir o próprio eco

Um morcego que ecolocaliza grita mais alto que um alarme de fumaça encostado no seu ouvido — mais de 130 decibéis. Para não ficar surdo, um minúsculo músculo do ouvido médio, o estapédio, se contrai alguns milésimos de segundo antes de cada chamado e afasta os ossículos para que a explosão mal seja registrada. No instante em que o chamado termina, o músculo se solta e o ouvido volta à plena sensibilidade bem a tempo de captar o fraco eco de retorno.
Uma mariposa veste um casaco que devora o som

Uma mariposa veste um casaco que devora o som

Algumas mariposas carregam a primeira camuflagem acústica natural conhecida. Suas asas e corpo são cobertos por dezenas de milhares de minúsculas escamas, cada uma afinada como um diapasão microscópico em uma frequência diferente. Quando o ultrassom de um morcego as atinge, elas se flexionam e torcem, engolindo a energia em vez de devolvê-la — absorvendo até 72 por cento do som, de modo que a mariposa quase some da tela do sonar do morcego.
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