Oito coisas feitas de matéria que nunca existiu na natureza

DC·76 Deep Cuts
O primeiro plástico de verdade não tinha nada da natureza

O primeiro plástico de verdade não tinha nada da natureza

Em 1907, o químico Leo Baekeland aqueceu fenol e formaldeído sob pressão dentro de uma panela de aço que chamou de Bakelizer, com cerca de 1.5 metros de altura. Dali saiu o primeiro plástico sem nenhum material natural, feito inteiramente de moléculas montadas em laboratório. Duro, resistente ao calor e ótimo isolante, ele moldou o início da era elétrica — rádios, telefones, interruptores.
Um cilindro de gás 'com defeito' escondia um milagre escorregadio

Um cilindro de gás 'com defeito' escondia um milagre escorregadio

Em 6 de abril de 1938, um químico abriu um cilindro pressurizado de gás tetrafluoretileno que pesava como se estivesse cheio, mas não soltou nada. Ao serrá-lo, descobriu que o gás havia se transformado sozinho num pó branco e ceroso — um polímero tão escorregadio que quase nada gruda nele, com um dos menores coeficientes de atrito de qualquer sólido, cerca de 0.05. A teoria da época dizia que ele não deveria ter se formado. Hoje, reveste as panelas antiaderentes.
Uma fibra 5x mais forte que o aço, de um lote estragado

Uma fibra 5x mais forte que o aço, de um lote estragado

Em 1965, uma química fiou um líquido fino e turvo que a maioria dos laboratórios teria jogado no ralo. A fibra que se formou alinhou suas moléculas como hastes rígidas, dando a ela uma resistência cinco vezes maior que a do aço por peso. Leve e quase impossível de cortar, o tecido dourado acabou parando balas em coletes à prova de balas e revestindo as cabines dos carros de corrida.
Este plástico do dia a dia foi um segredo de radar na guerra

Este plástico do dia a dia foi um segredo de radar na guerra

Em março de 1933, dois químicos num laboratório britânico comprimiram gás etileno a centenas de atmosferas; um minúsculo vazamento de oxigênio fez com que ele polimerizasse num sólido branco e ceroso — o polietileno, hoje o plástico mais comum do mundo. Mostrou-se um isolante tão bom em altas frequências que a Grã-Bretanha em guerra o manteve em segredo e o usou para isolar os cabos de seu novo radar.
O refrigerante destruía as garrafas plásticas até 1973

O refrigerante destruía as garrafas plásticas até 1973

As primeiras garrafas plásticas inchavam e estouravam sob a pressão de uma bebida gaseificada. Um engenheiro, Nathaniel Wyeth, passou anos esticando o plástico em duas direções ao mesmo tempo para que suas moléculas se travassem numa malha forte e à prova de gás. O resultado, patenteado em 1973, foi a primeira garrafa plástica capaz de conter a carbonatação — a garrafa transparente e leve hoje usada em quase todo refrigerante.
Com isto, cirurgiões já colaram feridas em pleno campo de batalha

Com isto, cirurgiões já colaram feridas em pleno campo de batalha

O cianoacrilato surgiu por acaso em 1942, quando um químico tentava fazer miras de plástico transparente para armas; grudava em tudo, então foi engavetado, até ser redescoberto em 1951. Sua aderência é quase instantânea — endurece no instante em que encontra a leve umidade de uma superfície. Cirurgiões de campanha na Guerra do Vietnã o borrifavam sobre feridas abertas para estancar o sangramento em segundos.
O plástico-bolha começou como um feio papel de parede em 3-D

O plástico-bolha começou como um feio papel de parede em 3-D

Em 1957, dois engenheiros selaram duas cortinas de chuveiro de plástico, prendendo uma grade de bolhas de ar, na esperança de vendê-lo como papel de parede texturizado em 3-D. Ninguém quis. O fracasso achou sua vocação em 1961 como embalagem protetora, usada pela primeira vez para transportar um computador do tamanho de uma sala. Cada bolha é uma minúscula almofada de ar selada que se achata para absorver um impacto.
A lente em milhões de olhos começou como o vidro de um caça

A lente em milhões de olhos começou como o vidro de um caça

Durante a Segunda Guerra Mundial, um cirurgião notou que lascas da cobertura acrílica das cabines, alojadas nos olhos dos pilotos, não provocavam rejeição — o corpo simplesmente tolerava aquele plástico transparente. Isso o levou ao implante de lente artificial; colocou a primeira em 29 de novembro de 1949. Hoje, esse mesmo material, o vidro acrílico, devolve a visão a milhões de pessoas após a cirurgia de catarata.
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