Oito coisas que um pão comum esconde

DC·231 Deep Cuts
O sabor ácido do fermento natural de São Francisco vem de um único micróbio

O sabor ácido do fermento natural de São Francisco vem de um único micróbio

O azedume do fermento natural não vem da levedura. Uma única bactéria do ácido láctico, a Fructilactobacillus sanfranciscensis, identificada pela primeira vez em pães de São Francisco em 1971, produz tanto o suave ácido láctico quanto o penetrante ácido acético, avinagrado, que dá ao pão o seu travo. Ela vive em parceria estável com a levedura selvagem do fermento, e uma cultura bem alimentada pode conservar a mesma cepa por décadas, passada de padeiro para padeiro como uma relíquia viva.
A casca marrom do pretzel vem de um banho de soda cáustica

A casca marrom do pretzel vem de um banho de soda cáustica

Antes de assar, um pretzel de verdade dá um mergulho rápido em soda cáustica de grau alimentício, o mesmo hidróxido de sódio encontrado em desentupidores. O banho fortemente alcalino, de cerca de pH 13, turbina o escurecimento de Maillard, de modo que a casca assa até virar uma concha vítrea cor de mogno com um leve travo amargo, enquanto o interior continua macio. O calor do forno neutraliza completamente a soda, deixando-a inofensiva para comer. O bicarbonato pode substituí-la, mas nunca deixa a casca tão escura.
O bagel é fervido antes mesmo de ir ao forno

O bagel é fervido antes mesmo de ir ao forno

O que separa um bagel de um simples pãozinho é um mergulho. Lançada em água fervente por cerca de trinta segundos de cada lado, a massa tem o amido externo gelatinizado, que forma uma pele selada antes mesmo de chegar ao forno. Essa casca pré-cozida prende a umidade no interior, bloqueia o crescimento no forno e assa até formar a casca densa, mastigável e brilhante pela qual o bagel é conhecido. Quanto mais tempo fica na panela, mais grossa e mastigável essa casca fica.
Ao esfriar, uma baguete estala e canta

Ao esfriar, uma baguete estala e canta

Tire uma baguete de um forno a 250 graus, chegue bem perto, e a casca canta. Os padeiros chamam esse leve estalar de 'canto' do pão. Como a casca fina e quebradiça esfria muito mais depressa do que o miolo úmido do interior, ela encolhe e se parte em uma fina rede de rachaduras, cada uma liberando um minúsculo sopro de vapor com um tique audível. Um pão que fica em silêncio muitas vezes esfriou devagar demais para chegar a rachar a casca.
O matzá precisa ser assado em exatos 18 minutos

O matzá precisa ser assado em exatos 18 minutos

A partir do instante em que a água encontra a farinha, o cronômetro dispara: o matzá tradicional precisa ser misturado, aberto, furado e totalmente assado em dezoito minutos. Esse é o tempo que, segundo a lei judaica, uma massa simples leva para começar a fermentar sozinha com as leveduras selvagens do ar, e qualquer crescimento a transformaria em pão fermentado, proibido durante a Páscoa judaica. Os padeiros esfregam as mesas entre as fornadas para que nenhum resto de massa velha possa reiniciar a fermentação.
Um biscoito de bordo de 1852 ainda está exposto em um museu

Um biscoito de bordo de 1852 ainda está exposto em um museu

O biscoito de bordo dos marinheiros era assado tão seco que quase não mudava ao longo de várias vidas. Como quase não sobra umidade para o mofo ou as bactérias, um simples biscoito de farinha e água pode sobreviver por gerações: um museu marítimo na Dinamarca guarda um assado em 1852, ainda inteiro depois de mais de 170 anos. Apelidados de 'quebra-dentes' e 'castelos de vermes', esses biscoitos duros feito pedra precisavam ser molhados ou quebrados antes que um marinheiro conseguisse sequer mastigá-los.
O pão fica velho mais rápido na geladeira do que fora dela

O pão fica velho mais rápido na geladeira do que fora dela

A geladeira é o pior lugar para guardar pão. Ficar velho não é bem ressecar; é a retrogradação do amido, em que o amido gelatinizado e macio aos poucos se recristaliza e expulsa a água, deixando o miolo firme. Essa recristalização é mais rápida logo acima do congelamento, em torno de 0 a 4 graus, então o pão refrigerado endurece cerca de seis vezes mais rápido do que um pão deixado na bancada. Aquecer derrete esses cristais de novo, e é exatamente por isso que torrar pode reviver uma fatia velha.
O pão mais antigo que se conhece é 4000 anos anterior à agricultura

O pão mais antigo que se conhece é 4000 anos anterior à agricultura

O pão veio antes da fazenda. Migalhas carbonizadas desenterradas em um sítio de caçadores-coletores de 14.400 anos no Deserto Negro da Jordânia são o pão mais antigo já encontrado: pães achatados feitos de trigo selvagem e tubérculos moídos de junco, cerca de quatro mil anos antes de alguém domesticar um único grão. A descoberta virou a velha história de cabeça para baixo: as pessoas podem ter começado a cultivar cereais em parte porque já haviam criado gosto por assar com eles.
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