Oito coisas que as plantas trepadeiras fazem para alcançar a luz

DC·224 Deep Cuts
A gavinha da ervilha se enrola numa mola que inverte o sentido no meio

A gavinha da ervilha se enrola numa mola que inverte o sentido no meio

Quando uma gavinha trepadeira já se prendeu a um apoio nas duas pontas, ela não pode simplesmente se enrolar — torcer todo o comprimento a romperia. Em vez disso, ela forma duas hélices de sentidos opostos que se encontram num ponto de inversão, chamado perversão, deixando a torção líquida em zero. O resultado é uma minúscula mola de duplo sentido que permite à planta aguentar o vento e os puxões sem arrebentar nem se soltar. Darwin descreveu isso em 1865; mais tarde, físicos mostraram que é simplesmente a forma de menor energia.
A corriola sempre gira para um lado; a madressilva, para o outro

A corriola sempre gira para um lado; a madressilva, para o outro

Um caule volúvel não escolhe a sua direção — quem escolhe é a espécie. A corriola sempre sobe por um apoio para um lado; a madressilva sempre para o lado oposto, e não há jeito de fazer nenhuma das duas mudar. O sentido é definido pelo próprio crescimento da planta, não pelo sol nem pelo hemisfério onde ela cresce — enrole um caule ao contrário com a mão e ele se desenrola e volta a trepar do seu jeito. Essas duas trepadeiras teimosas e opostas até inspiraram uma canção cômica sobre um romance fadado ao fracasso.
A figueira-mata-pau deixa uma torre oca onde sua árvore esteve

A figueira-mata-pau deixa uma torre oca onde sua árvore esteve

A figueira-mata-pau começa a vida como uma semente largada por uma ave bem no alto da copa de outra árvore. Ela faz descer raízes pelo tronco até o solo e depois as engrossa num reticulado entrelaçado que aperta o hospedeiro e o vence na disputa por luz e água. O hospedeiro acaba morrendo e apodrecendo — deixando a figueira de pé como um cilindro oco de raízes fundidas, uma gaiola em forma de árvore construída em torno do fantasma da árvore que a criou.
Uma gavinha sente um graveto e o agarra em questão de minutos

Uma gavinha sente um graveto e o agarra em questão de minutos

As plantas trepadeiras conseguem sentir. Uma gavinha livre faz lentos círculos no ar até roçar algo sólido; o lado tocado passa então a crescer mais devagar e o lado oposto mais rápido, enrolando a gavinha em torno do apoio — às vezes uma volta completa em cinco a dez minutos. O contato dispara uma onda de cálcio e um deslocamento da auxina, o hormônio do crescimento, para o lado de fora. Alguns segundos de afago podem fixar um enrolamento que dura dias.
A hera-de-boston se cola ao vidro com minúsculas almofadas

A hera-de-boston se cola ao vidro com minúsculas almofadas

Algumas trepadeiras não precisam de fendas para se agarrar — elas trazem a própria cola. A hera-de-boston e a parreira-virgem produzem gavinhas curtas e ramificadas que terminam em pequenas almofadas achatadas; ao contato, cada almofada incha, secreta um adesivo e se cimenta a tijolo, pedra ou até vidro liso. Como as almofadas aderem sem penetrar, a planta pode revestir uma parede sem rachá-la, e a ligação aguenta muitas vezes o próprio peso da gavinha.
O ratã trepa com ganchos e produz os caules mais longos do mundo

O ratã trepa com ganchos e produz os caules mais longos do mundo

O ratã é uma palmeira trepadeira que se arrasta pela floresta tropical com ganchos de agarrar: prolongamentos em forma de chicote e bainhas foliares armadas com verticilos de espinhos curvados para trás que se prendem nas plantas vizinhas. Livre de ter que construir um tronco grosso e autoportante, seu caule delgado pode seguir sem parar: algumas espécies passam de 100 metros, entre os caules mais longos de qualquer planta da Terra. Sem os espinhos, esse mesmo caule vira o vime dos móveis.
Um ramo de amora-silvestre se arqueia e cria raízes como uma nova planta

Um ramo de amora-silvestre se arqueia e cria raízes como uma nova planta

A amora-preta não se espalha só por semente — ela caminha. Quando um ramo longo se arqueia sob o próprio peso e sua ponta toca o solo, essa ponta cria raízes e se torna uma planta inteira a um passo da planta-mãe. Repita o movimento e uma única amora-silvestre avança para fora até formar um matagal denso que se clona sozinho. Um ramo de primeiro ano pode chegar a 3 a 9 metros, e os jardineiros aproveitam o truque — prenda uma ponta no chão e ela cria raízes em poucas semanas.
Com a idade, a glicínia engrossa em troncos que esmagam sua estrutura

Com a idade, a glicínia engrossa em troncos que esmagam sua estrutura

A glicínia trepa se enroscando, mas dê-lhe décadas e esses caules macios endurecem em troncos lenhosos da grossura de um pulso ou de uma perna, fortes o bastante para entortar uma treliça, partir mourões de madeira e estrangular a árvore que a sustenta. Essas trepadeiras são notavelmente longevas — exemplares de um ou dois séculos são comuns, e diz-se que uma no Japão tem mais de mil anos. Sem controle, o aperto lento e implacável de uma única planta pode despedaçar a própria estrutura construída para sustentá-la.
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