Oito coisas sobre o escavador que vive sob o seu gramado

DC·215 Deep Cuts
O comedor mais rápido de todos os mamíferos

O comedor mais rápido de todos os mamíferos

A toupeira-de-nariz-estrelado exibe um anel de 22 tentáculos rosados e carnudos ao redor do focinho, repletos de cerca de 25.000 minúsculos sensores de tato chamados órgãos de Eimer. É praticamente cega no escuro, mas a estrela sente a presa tão depressa que a toupeira consegue achar um bocado, decidir se é comestível e engoli-lo em apenas 120 milissegundos, mais rápido do que você pisca, o forrageador mais veloz já medido em um mamífero.
Ela cheira debaixo d'água soprando bolhas

Ela cheira debaixo d'água soprando bolhas

O olfato precisa de ar, então cheirar não deveria funcionar debaixo d'água, e mesmo assim a toupeira-de-nariz-estrelado consegue. Filmada por câmera de alta velocidade, uma toupeira submersa solta minúsculas bolhas de ar, de cinco a dez por segundo, pressionando cada uma contra um objeto para que absorva as moléculas de odor, e depois suga a mesma bolha de volta pelo nariz para cheirá-la. Bloqueie as bolhas e a sua precisão despenca ao nível do acaso. Só ela e um musaranho-d'água são conhecidos por fazer isso.
A toupeira tem um polegar a mais

A toupeira tem um polegar a mais

Uma toupeira escavadora precisa da pá mais larga possível, então criou uma a mais. Ao lado de seus cinco dedos normais, cada pata dianteira tem um sexto dedo parecido com um polegar, que não é um dedo de verdade, mas um osso do pulso aumentado, em forma de foice e sem articulações. Ele se forma tarde, depois dos dedos verdadeiros, e alarga a palma para uma pá melhor. Elefantes e pandas-gigantes desenvolveram esse mesmo falso polegar a partir do mesmo ossinho do pulso.
Veludo que se alisa nos dois sentidos

Veludo que se alisa nos dois sentidos

A maioria dos pelos animais tem um sentido; alise-os ao contrário e eles resistem. Os da toupeira não. Sua densa pelagem aveludada não tem direção fixa, então cada pelo fica liso quer a toupeira avance, quer recue por um túnel, e nunca prende nas paredes. Essa mesma pelagem permite que a toupeira dispare para trás pela toca em alta velocidade, ou até dê uma cambalhota para se virar num espaço mal mais largo que o próprio corpo.
Uma despensa de minhocas vivas e paralisadas

Uma despensa de minhocas vivas e paralisadas

As toupeiras queimam energia tão rápido que podem morrer de fome em um dia, por isso estocam comida viva. A saliva de uma toupeira carrega uma toxina que paralisa a minhoca com uma mordida na cabeça: não a mata, apenas a imobiliza. A toupeira acumula essas minhocas vivas numa despensa subterrânea; pesquisadores já desenterraram reservas com mais de mil, algumas com muitos milhares. Antes de comer uma, ela espreme a terra para fora como pasta de dente.
Sangue feito para respirar ar viciado

Sangue feito para respirar ar viciado

Numa toca lacrada, o ar fica ruim depressa: o oxigênio cai, o dióxido de carbono sobe e a toupeira respira de novo e de novo o próprio ar exalado. Já se mediram níveis de cerca de 14% de oxigênio e 5% de dióxido de carbono em túneis de toupeira, o bastante para deixar você ofegante. A toupeira se vira com uma hemoglobina especial que agarra o dióxido de carbono muito melhor que a nossa, levando embora esse gás residual para poder continuar cavando num ar que sufocaria outros mamíferos.
Um montículo de toupeira é só a pilha de entulho

Um montículo de toupeira é só a pilha de entulho

O montículo caprichado no gramado não é onde a toupeira mora, é a terra jogada para fora da obra. Ao abrir um túnel novo, a toupeira empurra a terra solta por um poço vertical até a superfície, erguendo um montículo com esse entulho, como um mineiro despejando cascalho na boca da mina. As toupeiras cavam a uma velocidade espantosa, até cerca de 30 cm de túnel novo por minuto em solo macio, então os montículos podem surgir da noite para o dia.
Uma toupeira cega que reluz como óleo

Uma toupeira cega que reluz como óleo

As toupeiras-douradas escavam a areia africana e estão cegas há milhões de anos, e mesmo assim sua pelagem reluz com um brilho iridescente de azul, verde e bronze. Como não podem vê-lo e vivem no escuro, a cor não pode ser para exibição. É um acaso: cada pelo é achatado em escamas lisas e sobrepostas que deslizam pela terra com menos atrito, e essa mesma estrutura, feito espelho, acaba decompondo a luz em cores cambiantes.
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