Oito coisas que o polvo e seus parentes sabem fazer

DC·130 Deep Cuts
O polvo sente a luz com a pele

O polvo sente a luz com a pele

A pele do polvo carrega as mesmas proteínas sensíveis à luz, chamadas opsinas, que revestem seus olhos. Ilumine um pedaço isolado de pele de polvo e as células de cor se abrem sozinhas, sem ajuda dos olhos nem do cérebro — mais rápido sob luz azul, a cor que alcança o ponto mais fundo do mar. A pele não forma uma imagem nítida, mas sente a mudança de brilho, como se o animal inteiro estivesse polvilhado de olhos.
Ele reescreve o próprio código genético no frio

Ele reescreve o próprio código genético no frio

A maioria dos animais fica presa às proteínas que seu DNA soletra. Polvos, lulas e chocos reescrevem as suas o tempo todo: editam as mensagens de RNA entre o gene e a proteína em mais de 50.000 sítios — contra apenas mil nos humanos. Quando a água esfria, o polvo aumenta essa edição em mais de 13.000 sítios em poucas horas, reajustando seus nervos para seguir funcionando. É um rascunho vivo, revisado na hora para combinar com o mar à sua volta.
Quase toda a sua mente vive nos braços

Quase toda a sua mente vive nos braços

O polvo tem cerca de 500 milhões de neurônios — quase tantos quanto um cão — mas mais de dois terços ficam nos seus oito braços, não no cérebro central. Cada braço tem seus próprios grupos de células nervosas e pode provar, sentir e decidir em boa parte por conta própria. Um braço decepado ainda procura e agarra a comida. O polvo é menos um cérebro comandando oito membros do que nove pensadores dividindo um corpo de forma solta.
Suas ventosas provam tudo o que tocam

Suas ventosas provam tudo o que tocam

O polvo não precisa levar a comida à boca para saber o que ela é. Cada ventosa é revestida de receptores quimiotáteis — células que provam pelo toque, descritas pela primeira vez em 2020. Enquanto um braço tateia às cegas dentro de uma fenda, as ventosas leem as substâncias químicas de tudo o que roçam e detectam um caranguejo escondido ou um petisco que vale a pena agarrar antes mesmo de o animal poder vê-lo. Na ponta de cada braço, tato e paladar viram o mesmo sentido.
O olho do choco tem um W de pupila

O olho do choco tem um W de pupila

A pupila do choco não é um círculo, mas um W ondulado. Em água clara, ela se fecha nesse ziguezague para distribuir o brilho que despenca de cima, de modo que a tênue visão lateral — a faixa onde surgem presas e predadores — continue nítida. O formato estranho também a ajuda a ler a luz polarizada, um padrão escondido no mar que os chocos usam para localizar presas quase invisíveis e sinalizar uns aos outros. Uma pupila esquisita, dois truques da luz sob a água.
Ela constrói uma concha com os próprios braços

Ela constrói uma concha com os próprios braços

O argonauta, ou náutilo-de-papel, é um polvo de mar aberto, e a fêmea faz a delicada espiral branca que muita gente confunde com uma concha. Ela a secreta da ponta de dois braços de membranas especiais e a usa como cápsula para os ovos e como tanque de lastro — não como uma concha de verdade criada pelo corpo. O macho nunca constrói uma e é minúsculo: cerca de oito vezes mais curto e 600 vezes mais leve que a fêmea que tece seu próprio barco de papel.
A 'lula-vampira' só come os restos que caem

A 'lula-vampira' só come os restos que caem

Seu nome significa 'lula-vampira do inferno', mas o abissal Vampyroteuthis não bebe sangue. Ele vagueia no escuro e arrasta dois filamentos pegajosos, cada um com até oito vezes o comprimento do corpo, recolhendo neve marinha — a chuva lenta de plâncton morto, dejetos e muco que afunda lá de cima — e depois leva a colheita até a boca. Numa zona fria, pobre em comida e quase sem oxigênio, comer as sobras do oceano não custa quase nenhuma energia.
Um nervo de lula nos ensinou como os nervos disparam

Um nervo de lula nos ensinou como os nervos disparam

A lula tem uma fibra nervosa tão larga — até um milímetro, centenas de vezes mais grossa que as nossas — que é ela que dispara seu rápido jato de fuga. Nas décadas de 1940 e 1950, Alan Hodgkin e Andrew Huxley enfiaram eletrodos bem dentro desse único axônio gigante e observaram os íons de sódio e potássio atravessarem a membrana em disparada. Eles desvendaram como dispara cada impulso nervoso de cada animal e ganharam o Prêmio Nobel de 1963. A neurociência moderna começou dentro de uma lula.
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