Oito coisas que os fósseis ainda lembram

DC·13 Deep Cuts
A cauda emplumada de um dinossauro, presa no âmbar

A cauda emplumada de um dinossauro, presa no âmbar

Um pedaço de âmbar de 99 milhões de anos, comprado num mercado de Mianmar em 2015, acabou guardando a cauda emplumada de um pequeno dinossauro terópode: oito vértebras caudais debruadas de penas castanhas e brancas, preservadas em três dimensões até a última barba. Os ossos não estão fundidos numa haste rígida como nos das aves, o que o revela como um verdadeiro dinossauro não aviano. O comerciante que o encontrou achava que a pintinha lá dentro era um resto de planta.
Este embrião de dino se enrolou igualzinho a um pintinho

Este embrião de dino se enrolou igualzinho a um pintinho

Dentro de um ovo fóssil do sul da China repousa o “Baby Yingliang”, um embrião de oviraptorossauro de 66 a 72 milhões de anos, tão intacto que parece prestes a chocar. A cabeça se encaixa sob o corpo, com os pés de cada lado: a mesma postura dobrada de “aconchego” que um embrião de galinha assume nos dias anteriores à eclosão, um comportamento que já se julgou exclusivo das aves. É um dos embriões de dinossauro mais bem preservados já encontrados.
Esta gema flamejante já foi a concha de um amonite

Esta gema flamejante já foi a concha de um amonite

A amolita é a concha fóssil de cores de arco-íris dos amonites, os parentes encaracolados das lulas que desapareceram há 66 milhões de anos. A pressão do soterramento preservou a aragonita da concha em finas camadas empilhadas que dividem a luz em vermelhos, verdes e azuis flamejantes, do mesmo modo que cintila uma fina película de sabão. Quase toda ela vem de um pequeno trecho do rio St. Mary, em Alberta, e só foi reconhecida como pedra preciosa em 1981.
Um dinossauro tão bem preservado que até a pele sobreviveu

Um dinossauro tão bem preservado que até a pele sobreviveu

Em 2011, mineiros de uma jazida de areias betuminosas de Alberta esbarraram num dinossauro encouraçado de 110 milhões de anos preservado feito uma estátua: a pele, as placas ósseas da armadura ainda nas posições em que estavam em vida, até as bainhas de queratina intactas. Vestígios químicos de seu pigmento mostram que ele era castanho-avermelhado em cima e mais claro embaixo, um padrão de camuflagem. Seu estômago fossilizado ainda guardava a última refeição: uma bocada de samambaias, preservada até as próprias células vegetais.
Ele enxergava por olhos feitos de cristal sólido

Ele enxergava por olhos feitos de cristal sólido

Os trilobitas — criaturas marinhas encouraçadas que percorreram os oceanos por quase 270 milhões de anos — formavam as lentes dos olhos com calcita transparente, o mesmo mineral do calcário e do giz. A calcita pura é transparente, então a luz atravessava a pedra direto até as células sensíveis logo abaixo. Como as lentes eram literalmente rocha, fossilizaram-se intactas, deixando alguns dos olhos rígidos mais antigos da Terra ainda encarando o mundo de dentro da pedra.
Os dinossauros engoliam pedras para mastigar a comida

Os dinossauros engoliam pedras para mastigar a comida

Sem dentes para triturar, muitos dinossauros herbívoros engoliam pedras que ficavam num estômago musculoso e moíam a vegetação mais dura conforme ele se revolvia — o mesmo truque que aves e crocodilos ainda usam hoje. Décadas rolando umas contra as outras e contra plantas fibrosas poliram esses “gastrólitos” até um brilho de espelho nos pontos altos, enquanto as fendas permaneciam foscas: um lustro que nenhum rio ou vento consegue imitar.
Houve quem acreditasse que isto eram raios caídos do céu

Houve quem acreditasse que isto eram raios caídos do céu

Os belemnites eram animais parecidos com lulas cujo esqueleto interno em forma de bala se fossiliza em pontas escuras e lisas espalhadas pela rocha do Jurássico e do Cretáceo. Ao encontrá-las depois das tempestades, os antigos gregos e, mais tarde, os europeus as julgavam raios arremessados do céu, e as colocavam nos telhados para afastar os relâmpagos. Entre seus nomes populares estão “dedos do diabo”, “pedras do trovão” e “velas de elfo”.
Estas contas em forma de estrela já estiveram vivas

Estas contas em forma de estrela já estiveram vivas

Os crinoides, ou lírios-do-mar, parecem flores sobre um talo, mas são animais: parentes das estrelas-do-mar e dos ouriços que filtram o alimento da água. Seus talos são pilhas de discos parecidos com botões, e em algumas espécies cada disco é uma minúscula estrela de cinco pontas, ecoando a simetria quíntupla comum a todos os equinodermos. Quando os animais morrem, os talos se espalham nessas “pedras-estrela”, outrora recolhidas como dinheiro de fadas e contas de São Cuthberto.
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