Oito coisas sobre caranguejos, camarões e seus parentes encouraçados

DC·123 Deep Cuts
O maior artrópode é quase só perna

O maior artrópode é quase só perna

Estique um caranguejo-aranha japonês da ponta de uma pinça à outra e ele alcança até 3,7 metros — mais largo do que uma pessoa é alta, a maior envergadura de pernas de qualquer animal com esqueleto externo articulado. O corpo continua modesto, do tamanho de um prato de jantar; quase todo esse alcance é perna esguia. Ele caminha pelo fundo do mar ao largo do Japão a até 600 metros de profundidade, catando restos sem pressa, e pode viver décadas.
Os caranguejos-eremitas fazem fila para trocar de casa

Os caranguejos-eremitas fazem fila para trocar de casa

Quando uma concha grande e vazia chega à praia, os caranguejos-eremitas não brigam por ela — eles entram na fila. Reunidos do maior ao menor, esperam até o maior reivindicar a concha nova, e então cada caranguejo, por sua vez, se muda para a casa que o de cima acabou de deixar. Uma única concha que aparece pode realojar toda uma corrente de caranguejos num instante. Os biólogos chamam isso de cadeia de vacância, uma das poucas vezes em que os animais dividem um recurso numa fila ordeira.
Sangue azul protege cada vacina

Sangue azul protege cada vacina

O sangue do caranguejo-ferradura é azul-celeste — ele carrega oxigênio com cobre, e não com ferro. Tem também um talento estranho: células especiais coagulam instantaneamente ao redor de toxinas bacterianas. Um teste feito com esse sangue, em uso desde 1977, é pingado em quase todo medicamento injetável e vacina para detectar contaminação; se a amostra coagula, o lote não é seguro. Os caranguejos são sangrados e devolvidos ao mar, com seu sangue azul-claro montando guarda silenciosa sobre a medicina moderna.
O tatuzinho-de-jardim é um primo do caranguejo em terra firme

O tatuzinho-de-jardim é um primo do caranguejo em terra firme

O pequeno tatuzinho cinza que se enrola numa bola embaixo de um vaso de planta não é um inseto — é um crustáceo, parente mais próximo de caranguejos e lagostas do que de besouros. Ele nunca deixou o mar por completo: respira por placas parecidas com guelras que precisam ficar úmidas, carrega sangue azul de cobre e bebe água por tubos na extremidade traseira. Cutuque-o e ele se blinda numa esfera. É um dos poucos crustáceos a viver a vida inteira em terra firme.
Uma garra pode pesar mais que o resto do caranguejo

Uma garra pode pesar mais que o resto do caranguejo

Um caranguejo-violinista macho desenvolve uma garra tão enorme que pode chegar a cerca de metade de todo o seu peso corporal, enquanto a outra permanece pequena e delicada. Ele acena com a garra gigante para cortejar as fêmeas e ameaçar os machos rivais. Ela é custosa de carregar e quase inútil para comer — ele se alimenta só com a pequena. Perca a garra grande e ela cresce de novo, mas a substituta volta mais leve e mais fraca: uma arma de aparência temível que, no fundo, está blefando.
A lagosta mastiga dentro do próprio estômago

A lagosta mastiga dentro do próprio estômago

A boca de uma lagosta quase não mastiga. A trituração de verdade acontece no estômago, logo atrás dos olhos, onde três dentes duros e calcificados — um em cima, dois nas laterais — esmagam o alimento numa estrutura chamada moinho gástrico. Os dentes são feitos de quitina endurecida com cal, e a lagosta os perde e regenera toda vez que troca de carapaça. Então ela engole primeiro e mastiga depois, com dentes que guarda dentro das tripas.
Seu soco faz a água ferver ao redor

Seu soco faz a água ferver ao redor

O membro dianteiro em forma de clava do tamarutaca golpeia a até 23 metros por segundo, com a aceleração de uma bala saindo de uma arma. Ele se move tão rápido que rasga a água, deixando uma bolha de vapor que entra em colapso com um clarão e um estalo — aquecendo a água, por um instante, a milhares de graus. Esse colapso desfere um segundo golpe, então um tamarutaca pode atordoar a presa mesmo quando o soco em si erra. A força pode rachar o vidro de um aquário.
A craca come de cabeça para baixo

A craca come de cabeça para baixo

Colada no lugar para a vida toda, a craca a passa de cabeça para baixo. Como larva, ela se cimenta à rocha pela testa e então fica deitada de costas dentro de um cone de placas calcárias. Para se alimentar, abre o topo e desenrola seis pares de pernas emplumadas chamadas cirros, varrendo-as pela água como uma minúscula mão ritmada para arrastar o plâncton até a boca. Charles Darwin passou oito anos estudando-as — um crustáceo que chuta o próprio alimento para dentro.
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