Oito coisas escondidas na bolsa de um marsupial

DC·122 Deep Cuts
Só um animal faz cocô em formato de cubo

Só um animal faz cocô em formato de cubo

Os wombats são os únicos animais que se sabe produzirem fezes em formato de cubo, deixando blocos bem certinhos para marcar seu território em troncos e pedras, onde bolinhas mais redondas simplesmente rolariam para longe. Os cubos se formam no último trecho do intestino, cujas paredes variam de rigidez ao longo da volta e moldam aos poucos o conteúdo que vai secando, dando-lhe faces planas e cantos. Um wombat pode deixar até 100 cubos por noite. O trabalho ganhou um prêmio Ig Nobel em 2019.
As digitais de um coala enganariam um detetive

As digitais de um coala enganariam um detetive

Os coalas têm digitais tão parecidas com as nossas que, no microscópio, até examinadores treinados mal conseguem distingui-las: compartilham as mesmas alças, espirais e arcos. Ainda assim, coalas e humanos tiveram um ancestral em comum pela última vez há cerca de 70 milhões de anos, então essas cristas evoluíram duas vezes, de forma totalmente separada. Ambas as linhagens precisavam de tato fino e firmeza na pegada — a nossa para ferramentas, a do coala para subir pelos troncos lisos de eucalipto — e chegaram à mesma solução na ponta dos dedos.
Um canguru anda com cinco patas, não com quatro

Um canguru anda com cinco patas, não com quatro

Quando um canguru se move devagar, ele não pula: anda com cinco patas. Apoia a cauda grossa no chão como mais um membro e balança as duas patas traseiras para a frente enquanto a cauda e as patas dianteiras sustentam o peso. Medições em placas de força mostram que a cauda não é mero apoio: ela fornece tanto impulso para a frente quanto as patas dianteiras e traseiras juntas, fazendo mais ou menos o trabalho de uma perna humana ao caminhar. Os cientistas chamam isso de marcha pentápode, de cinco pés.
Um gambá ignora veneno de cobra que nos mata

Um gambá ignora veneno de cobra que nos mata

O humilde gambá pode ser picado por uma jararaca e mal perceber. Seu sangue carrega uma pequena proteína apelidada de fator neutralizante de toxinas letais, cujo núcleo ativo são apenas os onze primeiros aminoácidos, e que desarma por igual os venenos de cascavéis, cobras e víboras, além de toxinas tão variadas quanto a ricina e a picada de abelha. Pesquisadores tentam transformar essa molécula do gambá em um antiveneno barato e universal, capaz de salvar milhares de vidas.
Este marsupial de bolso voa numa vela de pele

Este marsupial de bolso voa numa vela de pele

Um petauro-do-açúcar não é maior que um esquilo-listrado e, mesmo assim, cruza a floresta pelo ar. Uma fina membrana coberta de pelos, chamada patágio, se estende do dedo mínimo de cada mão até o primeiro dedo de cada pé; bem aberta, transforma o animal num paraquedas vivo. De um galho alto, ele consegue planar cerca de 45 a 50 metros de uma só vez, dirigindo e freando ao esticar a membrana e inclinar a longa cauda peluda como um leme.
Quilo por quilo, esta mandíbula morde mais que um leão

Quilo por quilo, esta mandíbula morde mais que um leão

O diabo-da-tasmânia é um marsupial robusto do tamanho de um cão pequeno, mas, em relação ao corpo, tem a mordida mais potente de qualquer mamífero predador vivo, com um quociente de força de mordida de 181 contra cerca de 112 de um leão. Suas mandíbulas abrem quase 80 graus e fecham com força suficiente para esmagar osso e cortar arame grosso, o que lhe permite devorar uma carcaça inteira — pelo, dentes e tudo — sem deixar quase nada para trás.
Um coala agarra com dois polegares em cada mão

Um coala agarra com dois polegares em cada mão

A pata dianteira de um coala tem cinco dedos como a nossa, mas dois deles são polegares opositores, voltados contra os outros três, dividindo a mão numa pinça poderosa. Essa pegada de polegar duplo permite ao coala prender um galho dos dois lados ao mesmo tempo e se segurar até enquanto dorme até 20 horas por dia na copa das árvores. Almofadas ásperas e estriadas dão atrito extra para se içar pelo eucalipto liso, a única árvore cujas folhas ele come.
Um canguru recém-nascido tem o tamanho de uma jujuba

Um canguru recém-nascido tem o tamanho de uma jujuba

Um canguru nasce após pouco mais de um mês de gestação: rosado, cego, sem orelhas e com apenas dois centímetros de comprimento, pesando menos de um grama, mais ou menos do tamanho de uma jujuba. Sem nenhuma ajuda da mãe, ele se iça com as minúsculas patas dianteiras pelo pelo até a bolsa, uma escalada de cerca de três minutos que precisa completar inteiramente sozinho. Ali se prende a uma teta e cresce por uns nove meses antes de encarar o mundo.
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