Oito coisas para as quais o vento e a água foram feitos

DC·71 Deep Cuts
As melhores rodas-d'água funcionam pelo peso, não pelo empurrão

As melhores rodas-d'água funcionam pelo peso, não pelo empurrão

Nem toda roda-d'água é igual. Uma roda de pás inferiores, com as pás arrastadas pela correnteza na base, capta apenas algo entre um quinto e um terço da energia da água. Já uma roda de pás superiores, alimentada pelo topo para que cada caçamba se encha e o puro peso da água a faça girar, chega a cerca de dois terços ou mais. Despejar a água por cima, em vez de empurrá-la por baixo, pode mais que dobrar a potência.
Um parafuso girando consegue levar água ladeira acima

Um parafuso girando consegue levar água ladeira acima

Incline um parafuso gigante dentro de um tubo, com a base mergulhada num rio, e gire-o: a água parece subir contra a gravidade. Cada volta prende uma bolsa de água entre os fios da espiral e a leva ladeira acima até derramá-la no topo. O projeto tem mais de dois mil anos e leva o nome de Arquimedes, mas ainda eleva água na irrigação e no esgoto, e girando ao contrário hoje produz eletricidade.
Os moinhos holandeses bombeavam água, não moíam farinha

Os moinhos holandeses bombeavam água, não moíam farinha

Os famosos moinhos holandeses tinham menos a ver com moer grãos do que com não viver debaixo d'água. Cerca de um terço dos Países Baixos fica abaixo do nível do mar, então os moinhos giravam uma roda de conchas que tirava a água dos campos cercados por diques, chamados pôlderes, e a despejava em direção ao mar. Onde a subida era íngreme, os moinhos trabalhavam em turma, cada um erguendo a água um pouco mais alto por uma escada de canais.
Uma pequena roda mantém o moinho de frente para o vento

Uma pequena roda mantém o moinho de frente para o vento

Um moinho só funciona quando suas velas apontam para o vento, e por séculos os moleiros tiveram que girar todo o capô à mão com uma vara comprida. Em 1745, Edmund Lee acrescentou um leme de cauda, um pequeno segundo moinho montado de través na traseira. Quando o vento muda, ele atinge esse leme, que aciona engrenagens que giram o capô até as velas encararem o vento de novo, e então para sozinho, em silêncio.
As mós moem o grão sem nunca se tocar

As mós moem o grão sem nunca se tocar

Num moinho só gira a mó superior, a andadeira; a mó fixa embaixo permanece parada, e as duas nunca se encontram. Correm a um fio de distância, uma folga não mais larga que uma folha de papel, ajustada mais fina ou mais grossa conforme a farinha desejada. Cada mó é talhada com sulcos chamados de picado, e ao se cruzarem trabalham como tesouras, cortando o grão e varrendo a farinha para fora, rumo à borda.
Os primeiros moinhos giravam na horizontal, como uma catraca

Os primeiros moinhos giravam na horizontal, como uma catraca

Muito antes das velas verticais holandesas, os mais antigos moinhos conhecidos giravam sobre um eixo vertical, como uma porta giratória. Erguidos na ventosa região de Sistão, na Pérsia, por volta do século IX, tinham velas de esteiras de junco dispostas em torno de um eixo central e eram fechados por muros, com uma abertura que canalizava o vento para um só lado, de modo que as velas no retorno não resistissem. Moíam o grão com o famoso vento dos cento e vinte dias.
Alguns moinhos funcionavam com a força da Lua

Alguns moinhos funcionavam com a força da Lua

Um moinho de maré toma sua força do subir e descer do mar. Quando a maré enche, a água empurra através de uma comporta de mão única para um reservatório; na maré alta a comporta se fecha e a aprisiona. Quando a maré vaza e o mar lá fora baixa, a água represada é solta através de uma roda e a faz girar. Como as marés obedecem à Lua, o moinho podia funcionar cerca de duas vezes por dia, um pouco mais tarde a cada vez.
Um moinho podia incendiar a si mesmo por girar rápido demais

Um moinho podia incendiar a si mesmo por girar rápido demais

As velas tradicionais eram treliças de madeira forradas de lona que o moleiro recolhia ou abria, como as velas de um navio, para se ajustar ao vento. Num vendaval, o moinho podia disparar, as velas girando fora de controle até que o atrito das engrenagens de madeira lançadas a toda velocidade, ou do freio apertado para detê-las, soltasse calor suficiente para incendiar a madeira e a poeira de farinha no ar. Muitos moinhos antigos se perderam exatamente assim.
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