Oito coisas que você nunca soube sobre dentes, presas e chifres

DC·33 Deep Cuts
A presa do narval é um dente do avesso

A presa do narval é um dente do avesso

O 'chifre' em espiral do narval é, na verdade, seu dente dianteiro esquerdo, que cresce reto através do lábio até três metros de comprimento. Diferente de qualquer outro dente, sua superfície fica aberta para o mar: até dez milhões de terminações nervosas vão do núcleo até a pele, transformando a presa num sensor gigante que lê a temperatura, a pressão e a salinidade da água. O unicórnio do Ártico usa um nervo do lado de fora.
As hastes são o osso que cresce mais rápido na Terra

As hastes são o osso que cresce mais rápido na Terra

Um veado reconstrói toda a galhada a partir de um crânio nu todos os anos. No auge da temporada, o osso se alonga até 2,5 cm por dia, e um alce macho pode formar quase meio quilo de osso novo num único dia — o crescimento mais rápido de qualquer tecido de mamífero. A haste em formação está viva, revestida por um 'veludo' peludo cheio de sangue, até endurecer, o veludo se desprender e a coroa inteira cair para começar tudo de novo.
A vida de um elefante é definida por seus últimos dentes

A vida de um elefante é definida por seus últimos dentes

Os elefantes não ficam com uma única dentição — nascem seis molares, um atrás do outro, cada um do tamanho de um tijolo. À medida que o molar da frente se desgasta de tanto triturar plantas duras, ele se quebra e o próximo avança numa esteira lenta a partir do fundo da mandíbula. O sexto e último surge quando o animal está na casa dos quarenta. Quando se gasta por volta dos sessenta ou setenta, o elefante já não consegue mastigar, e morre de fome aos poucos.
A morsa se chama 'a que anda sobre os dentes'

A morsa se chama 'a que anda sobre os dentes'

Tanto os machos quanto as fêmeas de morsa têm presas — caninos hipertrofiados de até um metro de comprimento e 5 kg cada. Não são para mastigar: a morsa as enancha na borda de um bloco de gelo para içar o corpo de meia tonelada para fora da água gelada, e as usa para manter abertos os buracos de respiração. Seu nome científico, Odobenus, vem do grego e significa 'a que anda sobre os dentes'.
Os dentes do castor são laranja por causa do ferro neles

Os dentes do castor são laranja por causa do ferro neles

Esse laranja vivo não é uma mancha — é ferro, entretecido no próprio esmalte dos dentes da frente do castor, que nunca param de crescer. O ferro deixa a face externa mais dura e mais resistente a ácido do que o seu próprio esmalte. Como essa frente laranja e dura se desgasta mais devagar que a camada interna macia, cada mordida lixa o dente até um fio de formão recém-feito. Os dentes crescem cerca de 10 cm por ano, então toda essa roedura nunca os gasta.
Os espartilhos de barbatana nunca foram feitos de osso

Os espartilhos de barbatana nunca foram feitos de osso

A peneira gigante na boca de uma baleia-de-barbatana — centenas de placas franjadas com que ela filtra o krill de toneladas de água do mar — não é osso nem dente. É queratina, a mesma proteína das suas unhas e cabelo, e cresce das gengivas, não da mandíbula. Por séculos, essa 'barbatana' elástica deu rigidez a espartilhos, anáguas e guarda-chuvas. A baleia peneira o mar; os vitorianos se amarravam dentro dela.
O pronghorn quebra todas as regras sobre chifres

O pronghorn quebra todas as regras sobre chifres

Os chifres — de bois, cabras, antílopes — são bainhas permanentes de queratina sobre um núcleo de osso, e nunca se ramificam. As hastes, nos cervos, são osso puro e caem inteiras todo ano. O pronghorn faz o impossível no meio do caminho: cria uma bainha bifurcada e ramificada, e então troca essa bainha de queratina todo outono, descolando-a do núcleo ósseo e formando uma nova até a primavera. Nenhum outro animal na Terra faz isso.
A dentadura de George Washington veio de um hipopótamo

A dentadura de George Washington veio de um hipopótamo

Os caninos e incisivos do hipopótamo nunca param de crescer, afiando-se uns contra os outros até virarem lâminas autoafiáveis de até meio metro de comprimento. O marfim por dentro é mais denso e mais branco que o de um elefante e resiste ao amarelado, e por isso os dentistas do século XVIII o valorizavam. A famosa dentadura do presidente nunca foi de madeira: uma delas foi entalhada em marfim de hipopótamo, aparafusada com ouro e cravejada com dentes humanos de verdade.
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