Oito coisas escondidas atrás do bico gigante

DC·154 Deep Cuts
O bico gigante é um radiador embutido

O bico gigante é um radiador embutido

O bico do tucano é repleto de vasos sanguíneos que ele abre e fecha à vontade. Ao inundá-lo de sangue quente, a ave libera calor por essa superfície nua — estudos com infravermelho mostram que assim ela dissipa de 5 a 100 por cento do seu calor corporal, uma das maiores 'janelas térmicas' de qualquer animal, comparável às orelhas de um elefante. Em noites frias, ela desliga o bico e o recolhe para se manter aquecida.
Esse bico enorme quase não pesa

Esse bico enorme quase não pesa

O bico do tucano-toco chega a cerca de um terço do comprimento total da ave — proporcionalmente o maior bico de qualquer ave viva —, mas representa só uma pequena fração do peso do corpo. Por dentro, uma fina casca de queratina recobre uma estrutura de vigas ósseas e bolsas de ar, uma espuma rígida quase toda vazia. O truque dá ao tucano uma ferramenta descomunal sem nunca prendê-lo ao chão.
Atrás do bico esconde-se uma língua desfiada, como uma pena

Atrás do bico esconde-se uma língua desfiada, como uma pena

Passando do bico, surge uma língua de até 15 centímetros — estreita, cinza e franjada de cerdas dos dois lados, a ponto de parecer uma pena. Essas bordas desfiadas a tornam um instrumento sensível para provar e manejar o alimento, ajudando a ave a jogar a fruta de volta para a garganta. Nada a ver com a língua curta e musculosa que a maioria das aves carrega.
À noite ele se dobra em bola e some

À noite ele se dobra em bola e some

Para dormir, o tucano vira a cabeça por completo e deita o grande bico ao longo das costas, depois levanta a cauda e a dobra por cima para cobri-lo — recolhendo-se num novelo de penas com metade do tamanho de quando está acordado. Assim, vários adultos podem se espremer num mesmo oco de árvore. Enfiar o bico entre as penas também mantém aquecida, a noite toda, aquela superfície que perde calor.
Dois dedos à frente, dois atrás — uma garra embutida

Dois dedos à frente, dois atrás — uma garra embutida

O pé do tucano é zigodáctilo: dois dedos apontam para a frente e dois para trás, formando um X que agarra o poleiro como uma garra. Esse arranjo permite que a ave se firme num galho fino enquanto se inclina bem para fora e estica aquele longo bico para alcançar frutos em ramos frágeis demais para pousar. Também a torna ágil, saltando de galho em galho em vez de andar.
Mal consegue cruzar uma clareira voando

Mal consegue cruzar uma clareira voando

Apesar do tamanho, o tucano voa mal. Bate as asas com força algumas vezes e depois plana, com o bico pesado puxando-o para baixo, raramente cruzando muito mais que uns 100 metros de uma só vez. O bico ainda atrapalha sua percepção de profundidade, então calcular um pouso fica desajeitado. Os tucanos circulam pela copa mais saltando e trepando do que se arriscando em voos longos.
Os filhotes nascem pelados, cegos e sem bico

Os filhotes nascem pelados, cegos e sem bico

Um tucano recém-nascido não se parece em nada com o adulto: rosado, pelado, cego e sem qualquer vestígio do famoso bico, que leva meses para atingir o tamanho pleno. Os filhotes têm até almofadas espinhosas nos calcanhares para proteger os pés do chão nu e áspero da cavidade do ninho — e essas almofadas simplesmente se soltam assim que o jovem está pronto para deixar o oco.
O amante de frutas também é um saqueador de ninhos

O amante de frutas também é um saqueador de ninhos

Os tucanos parecem mansos comedores de frutas, e são de fato dispersores de sementes essenciais — mas no fundo são onívoros. Com aquele bico longo, vasculham ninhos de outras aves e comem os ovos e os filhotes, e ainda pegam insetos, lagartos e outras presas pequenas. A proteína extra importa sobretudo na época de reprodução. Nem mesmo o ninho de outro tucano está a salvo deles.
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