Oito coisas escondidas numa tira de papel-alumínio.

DC·140 Deep Cuts
O alumínio não enferruja — ele se cura

O alumínio não enferruja — ele se cura

O alumínio é, na verdade, um metal muito reativo, mas não se corrói como o ferro. No instante em que uma superfície nova encontra o ar, forma-se uma pele de óxido de alumínio de apenas 2 a 5 nanômetros de espessura — milhares de vezes mais fina que o papel —, densa, dura e que veda o metal. Arranhe-a e o metal nu por baixo se cobre de óxido novo num piscar de olhos. A ferrugem do ferro se solta e continua corroendo para dentro; a armadura invisível do alumínio se cura sozinha e para.
Uma lata reciclada é energia quase de graça

Uma lata reciclada é energia quase de graça

Fazer alumínio a partir do minério consome energia de forma brutal — cerca de 45 quilowatts-hora de eletricidade por quilo para arrancar o metal do seu óxido. Mas derreter alumínio velho para usar de novo exige só uns 5% disso. E ele pode ser refundido infinitamente sem perder qualidade, então o metal praticamente nunca se esgota: estima-se que três quartos de todo o alumínio já produzido desde a década de 1880 ainda estejam em uso hoje, circulando do papel ao bloco do motor e à esquadria da janela.
Dois desconhecidos, mesma idade, mesma ideia

Dois desconhecidos, mesma idade, mesma ideia

O método que barateou o alumínio foi inventado duas vezes em 1886 — de forma independente, em dois continentes, por dois homens que nunca se conheceram. Um era um jovem de 22 anos recém-saído da faculdade, em Ohio; o outro, um engenheiro francês exatamente da mesma idade. Ambos dissolveram óxido de alumínio em mineral fundido e o separaram com corrente elétrica. Ambos nasceram em 1863 e, curiosamente, ambos morreram em 1914. O nome que compartilham ainda batiza o processo que hoje despeja milhões de toneladas por ano.
Os dois lados do papel são um acaso de fábrica

Os dois lados do papel são um acaso de fábrica

O papel-alumínio tem um lado brilhante e um lado fosco, e as pessoas inventam razões para usar um ou outro. A verdade é mais sem graça: na etapa final de laminação o papel fica tão fino — muitas vezes menos de 0,02 milímetro — que se rasgaria, então a fábrica passa duas folhas de uma vez pelos rolos. As faces prensadas contra os rolos de aço polido saem brilhantes; as duas faces prensadas uma contra a outra saem foscas. Não muda nada para cozinhar — o brilho é só a impressão digital de como o metal foi espremido até ficar fino.
Um primo do papel ajuda a lançar foguetes

Um primo do papel ajuda a lançar foguetes

O alumínio queima com fúria se você o deixar fino o bastante. Transforme-o em pó e o mesmo metal que embrulha um sanduíche vira combustível de foguete: os grandes propulsores sólidos que ajudaram a erguer o ônibus espacial eram recheados de alumínio atomizado — cerca de 16% do propelente em peso — misturado a um oxidante. Acendê-lo libera um calor e um empuxo enormes. O metal leve e simpático da sua gaveta de cozinha é, em outra forma, um dos combustíveis mais energéticos sobre os quais amarramos pessoas.
O metal mais comum ficou séculos escondido

O metal mais comum ficou séculos escondido

O alumínio é o metal mais abundante da crosta terrestre — cerca de 8% do peso dela — e o terceiro elemento mais comum de todos, depois do oxigênio e do silício. Ainda assim, os humanos só o isolaram no século XIX, muito depois do ouro, do cobre e do ferro. O motivo é sua atração fatal pelo oxigênio: o alumínio se liga a ele com tanta força que o metal puro quase nunca ocorre na natureza e resiste a todo velho truque de fundição. O metal mais comum ao nosso redor ficou, durante quase toda a história, impossivelmente fora de alcance.
Um cartão-postal de Londres é fundido no metal do papel

Um cartão-postal de Londres é fundido no metal do papel

Quando o alumínio ainda era novidade, um escultor o escolheu para uma famosa estátua alada inaugurada numa praça de Londres em 1893 — tida como a primeira estátua do mundo fundida em alumínio. O metal era então valorizado por ser surpreendentemente leve e brilhante, uma escolha ousada para a arte pública. A multidão apelidou a figura de Eros, embora o escultor tivesse em mente Anteros, irmão de Eros e deus do amor maduro. Mais de um século depois, ela ainda se equilibra acima do trânsito, em alumínio reluzente.
O papel de estanho já foi mesmo de estanho

O papel de estanho já foi mesmo de estanho

O nome 'papel de estanho' é um fóssil. Antes de o alumínio dominar, o papel de cozinha e de embrulho era de fato laminado a partir de estanho — mais pesado, mais rígido e propenso a deixar um leve travo metálico em tudo que tocava, o mesmo gosto de lata da comida esquecida numa conserva. O papel de alumínio o substituiu por volta de 1910 por ser mais leve, mais barato e sem sabor. O estanho sumiu, mas o nome antigo grudou no seu substituto prateado, e é por isso que as pessoas ainda recorrem a um 'papel de estanho' que não contém uma pitada de estanho há um século.
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