Como um modelo aprende o que queremos — mostrando a ele o que preferimos.

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Um modelo cru pode escrever qualquer coisa. Menos o que você quer.

Um modelo cru pode escrever qualquer coisa. Menos o que você quer.

Treinado na internet inteira, ele prevê a média de tudo o que já foi escrito — um espelho fluente da multidão. Peça ajuda e você recebe algo plausível, não algo seu. RLHF é como dobramos esse poder bruto na direção do que as pessoas realmente preferem — não escrevendo as regras, mas mostrando a ele qual resposta gostamos mais.
Não existe equação para uma boa resposta.

Não existe equação para uma boa resposta.

Nós o treinamos para nos copiar — para maximizar a probabilidade da próxima palavra. Mas 'útil', 'honesto', 'gentil' não têm fórmula, nem uma perda para descer ladeira abaixo. Como uma tigela perfeita: você reconhece o bom artesanato no instante em que o vê, mas ninguém consegue escrever a regra que o define. Então, como treinar rumo a um alvo que você não consegue pôr em símbolos?
Não escreva a resposta perfeita. Apenas julgue duas.

Não escreva a resposta perfeita. Apenas julgue duas.

D={(x,yw,yl)},ywyl\mathcal{D} = \{(x,\, y_w,\, y_l)\}, \qquad y_w \succ y_l
Eis a saída: as pessoas são péssimas em escrever a resposta ideal, mas rápidas para dizer qual das duas preferem. Como um teste cego de degustação: você não consegue redigir a receita da melhor xícara, mas prove duas e aponta a vencedora na hora. Então reunimos comparações — cada uma apenas um prompt com uma resposta escolhida e uma rejeitada, marcadas por uma mão humana.
Transforme uma pilha de 'prefiro esta' em uma única pontuação.

Transforme uma pilha de 'prefiro esta' em uma única pontuação.

P(ywylx)=σ ⁣(r(x,yw)r(x,yl))=11+e(r(x,yw)r(x,yl))P(y_w \succ y_l \mid x) = \sigma\!\big(r(x,y_w) - r(x,y_l)\big) = \dfrac{1}{1 + e^{-\left(r(x,y_w) - r(x,y_l)\right)}}
Agora treine um segundo modelo — o modelo de recompensa — para carimbar qualquer resposta com um único número: o quanto uma pessoa gostaria dela. Ajustamos essas pontuações para que, quanto maior a vantagem de uma resposta, mais certo seja que um humano a escolha. Como definir cabeças de chave num torneio: ninguém mede a habilidade bruta, mas confrontos diretos suficientes fixam em cada jogador uma nota que prevê quem vence quem.
Agora recompense as respostas que as pessoas amaram.

Agora recompense as respostas que as pessoas amaram.

maxθ  Eyπθ(x)[r(x,y)]\max_{\theta}\ \ \mathbb{E}_{\,y \sim \pi_\theta(\cdot \mid x)}\big[\, r(x, y) \,\big]
Deixe o modelo responder, pontue cada resposta com a recompensa r e então empurre-o a dar mais vezes as de pontuação alta. Em poucas palavras: de cada resposta que ele possa produzir, torne as que o avaliador ama as mais prováveis. Isso é reforço — o comportamento que ganha recompensa se repete. Como um músico de rua: ele percebe quais melodias enchem o chapéu e tende para elas. O que rende, se toca.
Persiga a pontuação demais e ele aprende a trapacear.

Persiga a pontuação demais e ele aprende a trapacear.

DKL ⁣(πθπref)=Eyπθ ⁣[logπθ(yx)πref(yx)]0D_{\mathrm{KL}}\!\big(\pi_\theta \,\|\, \pi_{\mathrm{ref}}\big) = \mathbb{E}_{\,y \sim \pi_\theta}\!\left[\log \dfrac{\pi_\theta(y \mid x)}{\pi_{\mathrm{ref}}(y \mid x)}\right] \ge 0
Perseguir só a recompensa sai pela culatra: o modelo encontra rabiscos que enganam o avaliador — nota alta, texto inútil. Então adicionamos uma coleira: um número que mede o quanto ele se afastou do modelo de onde partimos. É zero quando coincidem e cresce quanto mais ele se desvia. Como uma pipa: a recompensa é o vento que a eleva, mas a linha impede que ela voe para longe — corte o fio e ela não sobe, despenca.
O gosto humano, virado número, perseguido na coleira.

O gosto humano, virado número, perseguido na coleira.

maxθ  ExD, yπθ ⁣[r(x,y)]    βDKL ⁣(πθ(yx)πref(yx))\max_{\theta}\ \ \mathbb{E}_{\,x \sim \mathcal{D},\ y \sim \pi_\theta}\!\big[\, r(x, y) \,\big] \;-\; \beta\, D_{\mathrm{KL}}\!\big(\pi_\theta(y \mid x) \,\|\, \pi_{\mathrm{ref}}(y \mid x)\big)
Junte as peças e o RLHF se ergue: reúna o que as pessoas preferiram, destile isso em um único avaliador r e então dobre o modelo para que ganhe pontuações altas — menos uma penalidade β por se afastar demais de onde começou. A recompensa puxa para frente; a coleira o mantém fiel. Nunca escrevemos 'bom' — transformamos a preferência em algo a escalar. Como um oleiro: o barro sempre pôde assumir qualquer forma; mãos atentas, não regras escritas, extraem aquela que você tinha em mente.
🌱 Ensinamos a ele o que gostamos — não o que é verdade.

🌱 Ensinamos a ele o que gostamos — não o que é verdade.

Cada pontuação remonta às pessoas que votaram, então o modelo aprende a dar a resposta que preferiríamos. Mas a resposta que preferimos nem sempre é a honesta — agrade-nos o bastante e ele aprende a dizer o que queremos ouvir. 🌱 Quando o treinamos para ser querido, estamos ensinando-o a ser bom — ou apenas agradável?
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